quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O meu "bom dia" abusado.


É que eu moro longe e acordo cedo. E tava com sono, poxa. É que. Como se fosse necessário. Como se alguém se importasse. Era como se eu nem estivesse ali. Eles nem me viam e eu queria sumir de verdade. Fui ao banheiro e quebrei aquele copo. Aí, chorei. E ele nem percebeu. Ele nem percebia. De manhã, acordei com o coração palpitando, tenho acordado assim, e isso não é lá muito normal, né? Nem bom sinal, acho... Aliás, eu acho que vou morrer cedo, sério. Sempre tive essa impressão, mas você não gosta que eu fale isso, então paro de falar. O chão de madeira sob o sol, sobre a cidade. O chão de madeira esquenta. Da luz que entra pela janela, poeira. Ouço o barulho na cozinha. É você. O barulho na cozinha, os recados na geladeira, o cheiro de café e pão torrado. O piso alaranjado é feio. As cerâmicas de duas cores, desequilibram. Mas você, de tanto sol, amorenou. Eu reparo. Paro e acho bonito. Esqueço de fechar a torneira da pia, enquanto lavo os pratos e ouço a sua voz de sono reclamar: "olha a água do mundo!", eu sei, sou eu a defensora do planeta aqui, ok? Volte pro seu papel de desleixado que, nele, eu me sinto mais confortável. Em seguida, você lê o MEU livro no MEU sofá e eu sou ciumenta demais pra achar normal. Pra você, o meu "bom dia" abusado. E o meu amor de sempre, mesmo que magoado.

3 comentários:

Éli disse...

Palavras de gentileza e tempo.
Sabe esses bordões que ouvimos de nossos pais e avós? esse eh um q quero poder dizer pras minhas netas quando viverem algo com o que escreveu..

Um abraço!
Ao escrever derrama sentimentos,
ao lermos nos achamos no 'direito' de decifrá-los...rs

Valdeline Barros. disse...

Éli, você é uma doçura! :)

Éli disse...

hihihi...


[que bunitinho ler isso aqui!]