Guardava porque achava que precisava saber antes. Que era essencial entender a razão de amar alguém pra dar certo. Então eu entendia, achava que qualquer pessoa racional concordaria, e só então eu amaria direito. Meus amores sempre faziam sentido. Aí você surgiu.. e me despertou esse amor que não faz sentido nenhum, mas que me faz sentir muito. E é muito estranho esse negócio de sentir tranquilidade acompanhada, não estava acostumada. Porque você sabe, né? Eu acho que controlo tudo. E que as coisas – sentimentos inclusive – só podem acontecer em momento agendado com antecedência. Mas o nosso momento não foi agendado. De repente, vendo você, nasceu esse monte de borboletas no estômago, esse arrepio na espinha, esse querer desenfreado e desordenado, e eu não soube o que fazer. Então entreguei, reparti, compartilhei, dividi. Então amei! Como nunca havia amado, que ironia! Eu que achava que já tinha amado tanto... E aí foi como se o gelo em que eu me preservava derretesse por inteiro, e vivo agora a me derramar por aí em palavras, em gestos, em sonhos e na realidade. E fico o tempo todo achando que é tudo muito, que é desmedido, que não é assim que se faz, que preciso descobrir como me dar da maneira correta. Mas não adiantou. Eu pensei demais, eu discordei até de mim, eu tentei evitar, e quando vi, lá estava eu, errada, te amando! Sendo feliz. Estava no meio da relação menos convencional que já vivi, o que fazia com que minha cabeça e meu controle tão treinados apitassem o tempo todo. Mas a razão não é páreo para o desejo. E o silêncio do teu olhar me convidava a ficar, um pouco mais, e as palavras sem sentido que inventamos são tão lindas, e o coração foi ficando cheio aso poucos - às vezes, aos muitos - a ponto de explodir. E explode o-tempo-todo. E devasta meu peito, as borboletas resssurgem como na primeira vez, e tudo volta a ser começo. Até seus lábios me beijarem mais uma vez, eu fico tonta. Até que eu sinta de novo teus dedos fazendo poesia no meu quadril. Então eu derreto. Derreto, derramo, amo. Sem ter porquê, nem por razão, ou coisa outra qualquer além de não saber como fazer pra deixar de te amar cada vez mais.
Carina B., adaptado.
Carina B., adaptado.
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