sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Resolução única de Ano Novo.


Anos significam muita coisa, e de tanto significado a gente fica meio perdido pra definir. Wilde estava certíssimo quando disse que definir é limitar. Limitaria a imaginação e as lembranças, dizer quem foram os melhores, ou os piores. A memória vai cuidar de tanta coisa boa e até das coisas ruins que foram acontecendo pelo caminho, afinal, são anos, e num tá fácil pra ninguém. Mas levamos a certeza de que as boas superam em número, valor e sentimento aquelas que queremos esquecer, que se tornam pequenas diante da expectativa e da saudade que já vai começando a doer antes mesmo do tchau. Porque sentir saudade do que é bom, é natural… Estranho seria se o coração não ficasse pequeno quando pensamos que não vamos mais dividir a mesma sala, o mesmo "bom dia" ainda arrastado de sono com alguns, dúzias de guloseimas com outros e o alívio da sexta-feira com tantos. Porque, meus amigos, estamos olhando para aqueles que serão lembrados como os anos de ouro de nossas vidas. Será que a gente sabe a importância e o peso disso? Sei cada um dos abraços em que gostaria de estar agora. Das pessoas que conheço a geografia, cicatrizes, marquinhas, cheiros… Estaria nesses abraços todos. Imediatamente. Porque preciso de cada um deles. E vontade de abraço é uma coisa honesta que não dá pra enganar… Pai, mãe, irmãos, primos, amigos, namorado… Cada um deles por motivos diferentes, pra no fim sentir a mesma boa segurança de estar no lugar certo – quando o lugar certo não existe e mora num abraço – onde dá pra ouvir o coração bater e fim. Mas cá estamos nós. Num espaço que não cabe abraço porque o abraço mora longe, tá ocupado, não vem, já tá tarde, sumiu da minha vida, coisas assim… Coisas da vida? E eu precisava tanto… Vacilei entre ligar e não ligar, inúmeras vezes, pra cada um deles. E tentar sentir que tinha abraço mesmo não tendo o lugar e a presença das cicatrizes, marquinhas e cheiros todos. (Esqueci um pouco, ou tanto, deles, no ano que passou). Fazer as vezes por telefone e fingir que dá certo, não deu. Não daria. Deixa pra amanhã. "Fica pra depois…". Vai ficar. Ano que vem… Eu vou atrás de cada um deles. E essa é minha única promessa para o ano novo.

Cor-de-arco-íris-qualquer-coisa.


Então, eu coloquei meu velho moletom, aquele que você não conhece, o meu preferido, porque bem no dia em que eu te esperava com ele, você não veio. Até vem. Depois. Outros dias. Mas nunca mais dividimos a minha cama. Nunca mais a intimidade das roupas velhas ou do encontrar de corpos nus durante a noite. Gosto quando tem você embaixo do cobertor comigo ou quando tem a gente morrendo de calor e evitando os lençóis. Enfim… Coloquei meu velho moletom, liguei a vitrola e… A nossa música. Rituais da saudade. E sente que às vezes é preciso deixar o pensamento tomar o rumo que procura há dias depois de tanto se ocupar. Fui lá viver nós dois na memória. Você sendo apresentado ao sofá da sala às cinco da manhã. Rindo da minha calça rosa, que, vai, não tem nada a ver comigo mesmo. E tantas outras coisas que vivemos no meu apartamento, embora tenha sido no seu que a gente passou a maior parte desse nosso amor de inverno-verão-primavera-e-outono. O velho moletom não esquenta tanto. Velho, né? E dá saudade do abraço, porque seu abraço esquenta. Queima. E eu cabio nele e me encaixo de tal modo que parece ter sido feito pra mim. E foi. Quantas vezes te disse isso… Bem mais do que disse "eu te amo". Deveria ter dito mais. Deveria ter dito antes. Eu já senti que era amor tão de cara. Aí sobrou dizer "eu te amo" por aí, por às vezes, para as cartas que não foram entregues, para as preces que olha só, eu tão descrente, dei de fazer. E fiquei ali, remoendo as coisas não ditas, as que foram ditas demais, as que nem deveriam ter sido mencionadas, as que eu queria continuar dizendo. E vou. Remoendo que, apesar de me gostar tanto naquele moletom – não porque fico bonita, afinal ele é velho e meio feio, mas porque fico muito eu mesma e mais manhosa que o normal – você logo vai me ver assim. Então, bem, era hora de desligar a música que já repetia há muito, parar de pensar e fugir mais um pouco. De você e de mim. Deixar pra amanhã, tudo bem. Vai ficar tudo bem, eu sei. Até porque, hoje já é amanhã.

Ressaca de fim.

Eu queria vomitar a dor. Toda. Olhar na privada e sorrir como quem bota pra fora meio litro de vodka. Queria sentir o enjôo passar… Colocar fim a essa sensação de murro recém levado no estômago. Vomitar até não conseguir ficar em pé. Despejar tudo. Tudo que não sai com as palavras e que não passa com o tempo… Ressaca de meses. Ano sem fim.

Cíntia Moraes, adaptado.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

DoismileOUSE!


Então é Natal, e o que você fez? Nelson Rodrigues dizia assim: "O Natal já foi festa, já foi um profundo gesto de amor. Hoje, o Natal é um orçamento". Não são os dez últimos dias do ano que mudam a sua vida, são também os outros 355 dias que DEVEM fazer diferença. "O ano termina, e nasce outras vez", diz a letra da música, tão conhecida por nós. Chega o final do ano, entoamos em coro. Mas, é ano que nasce outra vez, Jesus pequenino que nasce de novo no coração das pessoas, como diz o padre, o pastor, aquela sua vovózinha beata... e nós, onde estamos, o que fizemos? Nascemos de novo a cada amanhecer e não nos damos conta da importância disso! Vivemos, como se viver fosse simples. Complicamos tudo, como se viver fosse complicado. E o ano novo, o que tem de novo? Ele só não pode ser DE NOVO, por favor. "Não há nada para ser esperado, nem desesperado", tá certo, Caio Fernando Abreu. Mas, anote a minha dica: O ano só é NOVO, se você fizer algo novo. Nem se engane. É dois mil e OUSE, aproveita! Se procurar bem, você vai ver que tem 2011 motivos pra fazer diferente e, PRINCIPALMENTE, pra ser feliz. Einstein classificou como loucura fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Você não seria louco de se encaixar nessa teoria, seria? Brincadeiras à parte, é como diz o Carlos Drummond, naquele texto: "Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente".

E que venham os próximos 12 meses!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Ano novo, amor de novo.


Vem cá, que eu preciso te contar que ando sentindo essas coisas que a gente lê em poesia. Ando falando de amor pela rua, cantando na cozinha e assobiando no chuveiro. Ando entregue. Ando andando meio sem rumo, e quando vejo tô na porta da tua casa. Ando sem pressa porque teu amor chega tarde, sempre depois das onze. Ando sentindo coisas demais. E me ocupando de coisas de menos, que tu anda me consumindo os pensamentos e eu fico sem fazer mais nada. Ando achando graça em música brega e tô até gostando mais de casa. Tem mais poesia até no caminho do ônibus, quando o celular toca e você reclama a saudade. Adoro quando você reclama a saudade. Com aquela voz morna de quem quer, mas não pode. Ando tropeçando nos sorrisos e nos soluços. Que chorar de amor, é parte desse negócio de ser feliz a dois. E a gente é feliz feito dois bobos. Como se o mundo lá fora andasse calmo e sereno e a avenida parasse inteira só porque a gente esquece de olhar pros dois lados. A gente é feliz pra caralho. Sem medida assim... Porque medida é racional. É multiplicar, dividir... E num tamo podendo fazer conta. Vem cá, que tô precisando te dizer sobre tudo isso. Porque se eu num falo, nem eu acredito. Ando escrevendo essas coisas todas melosas, ando gargalhando à toa. E tenho rasgado folha de caderno, porque escrevo demais e fico me repetindo. Quando vejo, tô contando a mesma história. É que nossa história, puta que pariu, dava um livro. Ando assim... Colocando minha felicidade nos teus braços, ali onde encaixo a cabeça e fico deixando teu cheiro pegar na minha roupa. Ando achando tudo mais bonito. E ando errando feio. Mas errar é parte dessa coisa. Isso de andar amando.

Cíntia Moraes, adaptado.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Levanto e enfrento com um sorriso.


Por trás desse sorriso, continuo. Eu sabia que uma hora eu ia acabar cansando, e este sempre foi meu grande consolo. Sabia disso porque, definitivamente, gente pequena e coisas pela metade não são pra mim. E digo mais: restou um orgulho monstro dentro de mim, de ter feito tudo que podia, de ter usado todos os meus personagens. Talvez missão perdida, mas missão cumprida. Não necessariamente feliz, mas leve. A alegria vem com os dias, isso eu sei também.

Há de ser sagrado, há de ser.


Porque para viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, mas que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai. Eu sei como dói. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la e rir da cara dela.

Antônio Prata.

É, aquele velho clichê.

Depois de algum tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto, e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai ferí-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais. Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos que mudar de amigos, se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não deve se comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados. Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que, algumas vezes, a pessoa que você espera que o chute quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar-se. Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Descobre que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, contudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor, e que você tem valor diante da vida.

William Shakespeare.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Love is all we need.


Amar nada mais é do que uma simples forma de aceitar. É engraçado como a gente só aprende vivendo. Também não queria ter citado este clichê, mas já que citei... A experiência de vida e o tempo são os melhores métodos de provar que o amor precisa ser praticado. Não me refiro apenas aos casais apaixonados não! Falo de toda e qualquer forma de amar. E nesse "barco de amores" vale o amor de amigo, amor de irmão, amor de pai e mãe, amor de cachorro... (Isso mesmo, temos muito o que aprender com eles!). Amor pela natureza, amor pelo mundo, amor-próprio. Amor pela sua terra, pelo seu país, amor pela carreira, amor pelo próximo, amor por Aquele que nos ensinou a amar, amor pelos que precisam de você, amor suficiente pra repartir, amor pra distribuir, amor pra abrir um sorriso e fazer outra pessoa retribuir... Se pequenos gestos de amor fossem praticados diariamente, algumas pessoas e alguns lugares no mundo seriam menos "frios".

Irmãs de alma.

Um dia, lembro como hoje, minha mãe entrou no nosso quarto pra nos acordar para ir pra escola (isso mesmo, há muitos anos, quando a gente ainda dormia no mesmo quarto).

Tharcila acorda e fala: - Mãe, tive um sonho estranho...
Minha mãe: - O que foi?
Tharcila vira-se preguiçosamente em direção à minha cama e responde: - Ah, pergunta a Val, porque ela também tava no sonho!

HAHA, pensei que ela estivesse brincando, mas ela falou sério e voltou a dormir.

E funciona mais ou menos assim até hoje. Não tem jeito, se essa figura não fosse minha irmã, com certeza seria (e é) minha melhor amiga. Isso mesmo. Sei disso porque ela ama o meu chulé, ama o meu mal humor de manhã cedinho, ama minhas cantorias e minha carteira de habilitação (hum rum, amiga da vez sempre!). Além de tudo, compartilhamos sonhos, literalmente, desde pequenas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Quando não existem respostas.


Se soubesse quem sou, não seria daqui, deste mundo, deste plano, desta vida. Não teria tantas dúvidas, medos e culpas. Nem faria planos para o futuro. Se soubesse quem sou, apenas seria e ponto. Aproveitaria cada momento fazendo tudo aquilo que gosto. Sem ânsias, preocupações, ou mesmo pressa. Se soubesse quem sou, dispensaria descrições. E não ousaria tanto num mundo desconhecido. Seria uma gota de certeza num mar de dúvidas. A prova determinística de uma aleatoriedade limitada. Se soubesse quem sou, não haveria tantos pontos de partida, tantos sonhos, tanta liberdade. Talvez não tivesse me apaixonado novamente, não contaria minhas idéias, nem desejaria salvar o mundo. Mas o fato é que não sei quem sou, de onde venho ou mesmo porque estou aqui. Vivo em meio a descobertas que me proporcionam, a cada dia, um novo caminho. Uma nova vida que se regenera a cada instante, sem jamais permanecer igual. O não saber quem sou, propulsiona o desejo de me redescobrir a cada amanhecer. Um dia menina, outro mulher. Em meio a ciência, sonhos e vida real. Em busca de razão, equilíbrio, felicidade, respostas. Um ser só. Só aprendendo a ser. É como cantam os Engenheiros do Hawaii: "Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual. (...) Se eu soubesse antes o que sei agora, iria embora antes do final". Hoje sei muito do pouco que sou, embora saiba que nunca saberei tudo. Mesmo assim, posso dizer que, aos trancos e barrancos, me tornei a mulher que eu sempre quis ser. Hoje eu sou essa mulher, e tenho orgulho de ser.

Me resumo, me assumo.


(...) No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima. É pouco, é muito pouco.

Clarice Lispector.

Um vislumbre do fim.


Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.

Clarice, a Lispector.