
Anos significam muita coisa, e de tanto significado a gente fica meio perdido pra definir. Wilde estava certíssimo quando disse que definir é limitar. Limitaria a imaginação e as lembranças, dizer quem foram os melhores, ou os piores. A memória vai cuidar de tanta coisa boa e até das coisas ruins que foram acontecendo pelo caminho, afinal, são anos, e num tá fácil pra ninguém. Mas levamos a certeza de que as boas superam em número, valor e sentimento aquelas que queremos esquecer, que se tornam pequenas diante da expectativa e da saudade que já vai começando a doer antes mesmo do tchau. Porque sentir saudade do que é bom, é natural… Estranho seria se o coração não ficasse pequeno quando pensamos que não vamos mais dividir a mesma sala, o mesmo "bom dia" ainda arrastado de sono com alguns, dúzias de guloseimas com outros e o alívio da sexta-feira com tantos. Porque, meus amigos, estamos olhando para aqueles que serão lembrados como os anos de ouro de nossas vidas. Será que a gente sabe a importância e o peso disso? Sei cada um dos abraços em que gostaria de estar agora. Das pessoas que conheço a geografia, cicatrizes, marquinhas, cheiros… Estaria nesses abraços todos. Imediatamente. Porque preciso de cada um deles. E vontade de abraço é uma coisa honesta que não dá pra enganar… Pai, mãe, irmãos, primos, amigos, namorado… Cada um deles por motivos diferentes, pra no fim sentir a mesma boa segurança de estar no lugar certo – quando o lugar certo não existe e mora num abraço – onde dá pra ouvir o coração bater e fim. Mas cá estamos nós. Num espaço que não cabe abraço porque o abraço mora longe, tá ocupado, não vem, já tá tarde, sumiu da minha vida, coisas assim… Coisas da vida? E eu precisava tanto… Vacilei entre ligar e não ligar, inúmeras vezes, pra cada um deles. E tentar sentir que tinha abraço mesmo não tendo o lugar e a presença das cicatrizes, marquinhas e cheiros todos. (Esqueci um pouco, ou tanto, deles, no ano que passou). Fazer as vezes por telefone e fingir que dá certo, não deu. Não daria. Deixa pra amanhã. "Fica pra depois…". Vai ficar. Ano que vem… Eu vou atrás de cada um deles. E essa é minha única promessa para o ano novo.








