quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Retrospectiva 2009?


Retrospectiva 2009. Talvez escreva isso pra mim mesma. Uma reflexão sobre os rumos que as coisas estão tomando. Por onde estamos indo. Por onde vamos. Hoje resolvi fechar pra balanço. E divido o balanço com quem quiser. Como cada passo que dou. E caminho. Não sei se pra frente. Mas sempre acreditando que é o melhor caminho. Não vivo por esporte, nem brinco de viver. Não quero quebrar meus recordes nem os de ninguém. Não quero mais mudar o mundo, só o meu mundo. Quero apenas tudo que for verdadeiro, e tudo que não for, espero que passe.
Eis que chega o fim do ano. Época de renovação e reciclagem pessoal para traçar novas metas e objetivos para um novo ano que se segue. Tempo de reunir a família e amigos para celebrar e comemorar todas as conquistas e aprendizados desses maravilhosos 365 dias. Olhar para trás e perceber o quanto caminhamos e lutamos com bravura para chegar ao melhor de hoje. Parece que é lei isso, né? Bom, então, tentando entrar no clima, vamos lá!
Semana passada li num outdoor: "Em 20 anos, quantos planos refazemos?" O que me fez pensar. Como as coisas mudam, como a vida gira. E quantas coisas mudaram em 1 ano! Quantos planos, quantas surpresas a vida trouxe, quantos sonhos realizados, quantas lições aprendidas, quanta felicidade, e até, quanta mágoa e tristeza superada! Somos vitoriosos, de um modo ou de outro, todos somos. Grandes sonhos ou pequenos... Tudo que nos faz vivos.
Em um ano, o amor então me escolheu, consegui o emprego que esperava, me defiz de medos e de pessoas que já não me diziam nada. Me dediquei mais a mim mesma. Melhorei a pele, o cabelo e o estilo de vida. Posso dizer que vivi realizações pessoais e profissionais. Tudo isso diminui minha ansiedade, fortaleceu meu caráter e aumentou minha auto-estima. Hoje me sinto mais leve, mais livre, mais feliz e inteira. Estou mais forte. Sim, sou grata à vida até pelos tropeços, eles me fizeram mais eu.
Sinto falta de pouca coisa que passou, mas agradeço por já serem passado. Minhas escolhas fizeram quem eu sou, e desconfio que escolhi bem! Bem, o que não foi tão feliz nessa estrada me tornou mais viva, mais humana. Tenho comigo as melhores pessoas do mundo. Os melhores amigos, a melhor família que alguém poderia querer, e o melhor amor e companheiro com que eu poderia sonhar! Agradeço a Deus por cada um deles, todo dia. Não me deixo corromper pela parte suja e feia de algumas pessoas com quem sou obrigada a conviver. Porque é isso aí, estamos na vida. Nem por isso me deixo levar, nunca me deixei. Sou dona do meu nariz e das minhas escolhas. Segura de mim. Seguro minha mão sempre que a corda entorta, o sapato aperta, os pés começam a doer. Primeiro me respeito e os meus sentimentos. Termino esse ano, e esse texto, tendo plena certeza de que sou senhora de mim, sim. E que venha a vida, sempre!

O que eu não vou fazer no reveillon.


Eu tenho que viajar no final do ano pra um lugar imperdível porque é reveillon. Eu tenho que me virar pra encontrar meu namorado que mora a trocentos quilômetros de distância, enfrentar o caos dos aeroportos ou as estradas lotadas porque o mundo deve estar acabando e é a última coisa que posso fazer na vida. É reveillon. É reveillon e alguém decidiu que nos daria um único dia de feriado pra fazer o mundo inteiro querer viajar por causa de um mísero estúpido dia. Mas é reveillon. O ano vai mudar e você precisa celebrar o fato de que mais um ano ficou pra trás, mais um ano está chegando pela frente. E a única coisa que efetivamente muda na sua vida é o calendário da Caixa Econômica Federal que fica em cima da sua mesa no escritório. É deprimente ter que responder, pelo menos dez vezes por dia, a pergunta daqueles que passaram o ano todo juntando dinheiro pra viajar no final de semana do reveillon: o que é que você vai fazer no final do ano? Vou dormir, pagar minhas contas, juntar dinheiro pra consertar meu carro, trabalhar no dia 31 e no dia dois de janeiro. Pro inferno. Por que é que eu “tenho que” fazer algo imperdível no final do ano? Por que é que eu preciso viajar justamente em dois ou três dias, pagando as tarifas mais caras de vôos, pegando as estradas mais cheias, gastando com diárias inflacionadas? Alguém me explica esse fenômeno? Tenho outras datas pra viajar. Sou livre. Posso ir e vir doze meses por ano, me planejando com antecedência ou simplesmente resolvendo ir pra praia sexta-feira à tarde. Tenho amigos, tenho finais de semana, tenho férias e não entendo porque eu tenho que viajar no reveillon. Não tenho que nada. Mal tenho tempo de cuidar da minha vida no presente, quanto mais começar a pensar no reveillon ainda em julho (minhas amigas afoitas que me perdoem). Mudo de idéia desde a hora que acordo até a hora que vou dormir. Planejar final de ano com seis meses de antecedência, pra mim, é loucura. Mal planejo o final de semana seguinte. Não sei se vou estar viva até o final do ano, não sei se vou estar empregada, se vou estar sem dinheiro, se vou estar namorando. Não sei se vou. Me desculpem aqueles que acham que reveillon é a coisa mais importante do ano, mas pra mim o que importa é todo o resto. Os outros 364 dias entre um reveillon e outro. Não vou fazer nada extraordinário no final do ano porque, sinceramente, não acho que, em dois dias, dê pra fazer nada que preste de verdade. Você se desgasta horrores, pega estradas, rodoviárias, aeroportos lotados, e gasta mais tempo pra chegar no seu destino do que na festa de final de ano em si. Acho chique quem vai passar o reveillon em Fernando de Noronha e já fica pras férias de janeiro. Acho chique quem vai pra New York tomar champanhe na virada do ano na Times Square e depois passa umas semanas fazendo compras. Mas acho extremamente barango quem sai no dia 31, viaja dez horas pra casa do caralho, chega lá, passa a bendita virada e volta no dia seguinte (mais 14 horas de viagem porque a volta sempre engarrafa). Ah, gente, faz favor, né?! Isso é glamour?! Não tenho dinheiro pra ir pra Noronha, pra NY ou pra outro lugar que preste pra me divertir de verdade ao invés de me estressar. E me recuso a me estrangular nos dois dias que inventaram pra gente fazer alguma coisa que preste. Prefiro usar os outros dias do ano.

Brena Braz.

Brevis.

Essa multidão de esbaforidos pelos metrôs, ônibus, ruas, lojas, shoppings... à que se prestará? Mais uma vez, meus caros, às festas! Nossas confraternizações. De fato deve ser algo muito fraterno dar e receber presentes. Quem sabe... Porém, talvez o fim esteja mesmo no prazer das compras, nas comemorações e em mais um momento de esquecimento das mazelas do ano (ultra)passado. Mas quem seria o inconveniente que deitaria dúvidas nas supostas motivações de final de ano? Deixo isso para alguém mais corajoso ou "chato" do que eu. De minha parte, prefiro pensar no lado realmente importante dessa nossa transitoriedade. De nossa passagem pelo maior espetáculo do qual todos os canalhas, todos os honoráveis, todos os vilões e todos os heróis tiveram o fantástico privilégio de participar: a VIDA. Ainda há pouco me lembrava da esperança ardorosa, em menino, de ver algum dia a "passagem do ano". Queria tanto não dormir pra viver o momento exato em que um (ano) morria e o outro nascia. Confesso que me senti frustrado quando, finalmente, consegui manter-me acordado e vi apenas alguns adultos gritando. "Cadê?", perguntava pra mim mesmo. Tempos depois percebi que, talvez, essa era uma das grandes decepções que nós carregamos: é mentira, o ano nunca passa. Foi mais ou menos por esse tempo que pensei também em qual e como terá sido o momento exato em que, verdadeira e profundamente, tomamos consciência da nossa mortalidade. De que estamos morrendo agora. Hoje reflito no motivo pelo qual esse atino é prontamente apagado de nossas mentes.
Por que fugimos dessa verdade insofismável? Com certeza isso terá sido mais atordoante que minha descoberta de fim de ano. Muito mais marcante. No entanto, essas percepções todas me parecem insignificantes quando reflito no quanto custamos a chegar aqui. Decênios, milênios, ou lá o que for. Este momento, quer dizer, qualquer instante, deveria ser sagrado e cultuado todos os dias. Não direi "todo o tempo" para não corrermos o risco de sermos fundamentalistas de nós mesmos. Pense comigo: o que deveria realmente nos assombrar se não a nossa vez nesse imenso banquete? Talvez a morte, como um fato vindouro, transforme a vida em algo espantoso. Mas ela, nossa morte, sempre esteve aí. Bem antes de nós. Já nossas vidas...
Se eu não fosse "eu", o que, então, seria? Apenas "serei" por alguns breves momentos lançados nesse universo infinito: minha insignificante existência, minha consciência disso, minha inconsciência de tanto mais, minha aconsciência do que eu puder. E quantos anos eu poderei vir a ter? Cem? Pois isso é nada. Uma fagulha no gigantismo que é a insignificante história humana frente ao cosmos. Imagino a resposta de um senhor centenário, quanto a sua percepção da vida... "passa muito depressa: foi hoje de manhã, quando sugava as doces mamas, embalado pela cantiga de mamãe"... A grandiosidade, meus bebês (e somos todos nenéns), é a VIDA como fato! É ter acertado em cheio nessa loteria: fomos sorteados com o prêmio dos prêmios. E, ainda bem, não ganhamos sozinhos. Estamos todos nesse momento particular, participando da festa das dores, dos prazeres, dos temores, dos amores, das alegrias e das saudades. Das saudades deles, os que se foram mais cedo da nossa farra-existencial, que também estiveram aqui e que, de alguma forma, ainda estão. Pode duvidar. Mas creia... Creia!
Então, o que falar de todo esse, digamos, desespero? Pra mim, seria bom, em algum momento de toda essa tontice, percebermos que não é o ano quem passa. Somos nós. E, mais ainda, não é ele quem renasce, também somos nós. Talvez seja uma surpresa soberba descobrirmos que podemos nos embriagar ou delirar dessa obviedade que é percebermos o hedonismo da vida: corpo belo, mente sã e alma livre. Pagã! Estamos vivos, e isso é muito. Por ora é tudo. Mas, pra termos um denominador comum, sabe, o que eu queria dizer mesmo, enquanto ouço as cantatas de J.S. Bach (atemporais), era: FELIZ ANO NOVO!

Luiz Galdino de Santana.

Fim de quê?

Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho.

Caio Fernando Abreu.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Não sou boa.


Não sou boa com números. Com frases-feitas. E com morais de história. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto. Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa. Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Me irrito fácil. Me desinteresso à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando, logo eu que adoro sorrir... Mas não tem nada, não. Bonito mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem - na verdade - a gente é.

Fernanda Mello.

Conclusão II.

Foi um gênio mesmo quem teve a idéia de partir o tempo em anos, fim de ano é comercial, é animador (ou desanimador), é sentimental e revigorante. E ainda tem um monte de gente acreditando em mágica do dia pra noite nessa época, que tudo vai ser diferente no ano novo, como num passe de mágica. Com planos que vencem no dia seguinte às festas, com sentimentos efusivos que murcham no outro dia. Isso eu não gosto, sou sincera.

Conclusão.

Ninguém nunca entende além do que pode enxergar.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Só ele conheceu.


Eu sabia que estava sendo amada, talvez como nunca em toda a minha vida. Mas absolutamente incrível. Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso. Quero que ele veja o quanto mudei por causa dele. Não foi só o muque que ficou mais duro, mas minha autopiedade também aprendeu a ser menos molenga. Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor só para nunca deixar de ser amor. Impressionante como a gente sofre por nada. Um cheiro que mexe com você, um jeito de olhar contido, uma idéia inteligente, várias na verdade. Não, não é nada disso, a gente sofre é pela impossibilidade. Ele sabe que você nunca será mais uma daquelas mulheres sem nome, com quem ele janta ou come, pra sentir de dentro da redoma de vidro um sol artificial. Ele sabe e afirma pra você, todos os dias, que você é e sempre será única pra ele. A verdade é que eu ainda acredito em reencarnação. Seja ele, seja o homem que perde um segundo de ar quando me vê. Você segura minha mão e eu me sinto segura. E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia de janeiro e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procurava. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso.


Tati Bernardi, adaptado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Sentidos.


Poderia te amar somente com o olfato. E te abraçar com os ouvidos.

Carpinejar.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Tradução do que é o amor.


Esse pode não ser o momento certo. Você pode não ser a pessoa certa. Mas há alguma coisa sobre nós que eu quero dizer. Porque há algo entre nós de qualquer maneira. Eu posso não ser a pessoa certa. Esse pode não ser o momento certo. Mas há algo sobre nós que eu tenho que fazer. Algum tipo de segredo que eu compartilharei com você. Eu falo com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu divido coisas com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu rio com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu saio com você mais do que com qualquer um em minha vida. Eu preciso de você mais do que qualquer coisa em minha vida. Eu quero você mais do que qualquer coisa em minha vida. Eu sentiria sua falta mais do que de qualquer um em minha vida. Eu amo você mais do que qualquer um em minha vida.

(Tradução de Something about us, de Daft Punk, adaptada)

Quando a gente tem um sentimento forte,

a gente tem medo que alguma coisa aconteça.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Maturidade e amor maduro.

Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte. Não escrevo muito sobre a morte: na verdade ela é que escreve sobre nós - desde que nascemos vai elaborando o roteiro de nossa vida. O medo de perder o que se ama faz com que avaliemos melhor muitas coisas. Assim como a doença nos leva a apreciar o que antes achávamos banal e desimportante, diante de uma dor pessoal compreendemos o valor de afetos e interesses que até então pareciam apenas naturais: nós os merecíamos, só isso. Eram parte de nós. O amor nos tira o sono, nos tira do sério, tira o tapete debaixo dos nossos pés, faz com que nos defrontemos com medos e fraquezas aparentemente superados, mas também com insuspeitada audácia e generosidade. E como habitualmente tem um fim - que é dor - complica a vida. Por outro lado, é um maravilhoso ladrão da nossa arrogância. Quem nos quiser amar agora terá de vir com calma, terá de vir com jeito. Somos um território mais difícil de invadir, porque levantamos muros, inseguros de nossas forças disfarçamos a fragilidade com altas torres e ares imponentes. A maturidade me permite olhar com menos ilusões, aceitar com menos sofrimento, entender com mais tranqüilidade, querer com mais doçura. Às vezes é preciso recolher-se.

Lya Luft.

sábado, 5 de dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Você.


Você virou parâmetro de comparação. Você virou o cara com quem eu comparo todos os outros. Com quem eu gostaria que todos se parecessem. Eu só olho pros outros caras procurando um cabelo tão lindo quanto o seu. Umas costas tão fortes quanto as suas. Um sorriso tão sincero nos olhos. Mas ninguém conseguiu essa façanha. Ninguém tem a sua boca fofa, a sua pele macia, o seu abraço quente. Ninguém é você e ninguém me basta tanto quanto você. Ninguém tem o seu jeito de me olhar. De falar meu nome. Ninguém tem esse cheiro. Ninguém me faz rir como você. Ninguém nunca me viu chorar com a alma tão aberta, com a cara tão pálida e o coração tão pequeno. Não consigo ser tão eu como quando estou com você. Você me conhece sem maquiagem, sem pudores, sem grana e até sem unha (lembra quando prendi o dedo no aparelho da academia e ela caiu?). Você conhece meu melhor e agüenta o meu pior. Você é tão eu que eu penso que é meu. Depois de você, os outros são os outros e só. Eu cito Kid Abelha. Aprendo a dançar forró (aprendo a dançar qualquer coisa, na verdade). Eu viro morena. Eu passo a noite em claro. Você vale qualquer mudança de planos. Você merece que eu tire férias só pra dormir e acordar do seu lado. Pra te ter suado. Você me leva pra lua, ida e volta em cinco segundos. Você me tira do ar, me deixa no chão. E você é essa pessoa do bem. Esse coração enorme. Pra quem eu nunca conseguiria mentir porque você lê meus pensamentos no fundo dos meus olhos. Você é o que faz tudo valer a pena. Você compensa qualquer esforço. Você vale o risco. Você me apetece. Me desafia. Me faz ir atrás. Ir além. Ir mais longe e querer mais. Você me apaixona. Me arranca pedaços. Me deixa de boca aberta. De coração na mão. Você é o que me faz levantar da cama de manhã cedo. Você é que me faz precisar de mais 36 horas no meu dia. Você me devolve a vontade de viver quando eu penso que tudo acabou. Você me tira de casa de madrugada. Você faz meu coração bater mais forte. Você me faz querer viver pra sempre. Você é o que me move. E agora eu quero patentear isso. Quero meus direitos autorais. Dá pra fazer várias cópias de você e espalhar pela cidade pra toda hora que eu precisar? Dá pra parar de mexer no seu computador pra eu ficar só te olhando? Dá pra ficar mais tempo me explicando qualquer coisa em que eu não vá prestar atenção porque sua boca se mexe tão suave que eu tenho vontade de mexer meu corpo inteiro junto com ela? Dá pra me olhar por mais um segundo (ou dois, se eu sobreviver ao primeiro)? Dá pra parar de ser tão tudo de bom pra eu conseguir achar graça em mais alguém? Dá pra ser só meu pra sempre?

Dá pra mandar eu parar de escrever sobre você porque eu tô ficando muito clichê?


Brena Braz.

Desde sempre.

Sorríamos suaves, meio tolos, descendo juntos pelo elevador numa tarde que lembro de abril - esse é o mês dos dragões - dentro daquele clima de eternidade fluida que apenas os dragões, mas só às vezes, sabem transmitir. Por situações como essa, eu o amava. E o amo ainda, quem sabe mesmo agora, quem sabe mesmo sem saber direito o significado exato dessa palavra seca - amor.

Caio F. Abreu.

Da força que tem.

E então transborda. De forte. É um amor assim tão delicado, que dá medo de tocar. Tão doce, de lamber os dedos. Tão puro, que ainda nem sabe a força que tem.